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Como Surgiu a Moeda no Sistema Capitalista

A moeda surgiu em conjunto à transição do feudalismo para o capitalismo, sendo essencial a participação deste na formação do sistema. O comércio estava se instaurando e as trocas já não eram mais naquele antigo sistema feudal, também surge a necessidade de legitimidade desses artifícios de troca e o papel do governo em emissão de moedas e um mecanismo seguro para acumulação de capital para aqueles que estavam emergindo no sistema principalmente na Revolução Industrial.

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Surgimento da Moeda no Sistema Capitalista

O dinheiro só é um artifício válido se a sociedade o considera como algo de valor, respeitando sua necessidade para trocas e de que em certa maneira é um recurso escasso para a maioria dos indivíduos.

Nem sempre existiu a moeda como mecanismo de troca, sendo posterior às relações de escambo da sociedade.

O dinheiro é criado a partir da necessidade de carregamento de algo com valor para as trocas comerciais e que em certa medida fosse aceito por todos, assim como se definia o valor do metal para transações comerciais.

Diversas foram as tentativas de implementação de objetos de valor para trocas comerciais, e entre todos os elementos utilizados até o sal já foi considerado com alto valor para certo período e nos EUA no séc. XVII ainda utilizavam tabaco como moeda de troca. Muito se utilizou ouro e prata como meio de troca também.

Assim, como descreve no livro Crash de VERSIGNASSI (2011), há diversos indícios do uso de metais para a confecção de moeda, e sendo o cobre um dos primeiros registros para a circulação na sociedade. O que isto ocasiona na sociedade é que a quantificação dos valores tende a se tornar mais próxima do ideal, sendo cotado sempre por peso dos metais envolvidos.

O ponto neste período em que se torna a moeda como fator central da economia é de que o governo teria o controle da circulação, estando subordinado o indivíduo.

Para entender os aspectos positivos da moeda primeiro temos que avaliar quais foram os negativos. Uma questão é que no início o dinheiro precisava de lastro em metais valiosos da época, e quanto mais se cunhavam moedas, mais era necessária a mineração para continuar o processo, e o problema surge quando não há mais de onde se extrair estes recursos. Então através de práticas consideradas desonestas, alguns Estados-nação começaram a cunhar moedas com metais não tão nobres, pois a população acreditava no Estado.

Essa injeção de capital na economia sustentou os agricultores e outros comerciantes da época para crescerem economicamente e operar também no cenário internacional. Surge nesse período o dinheiro “falso” que carregamos hoje e que acreditamos no valor que está impresso sem ao menos questionar a existência de seu lastro, ou seja, apenas um papel na carteira, ou dígitos em um computador.

Em um momento passado, costumava-se definir moeda como uma mercadoria dotada de valor de troca e de uso geral, mas naquela época as moedas eram de metais dotados de valor real, o que difere da atualidade em que carregamos esses papéis simbólicos de valor, ou pela “fé” nos dígitos de um computador.

Também surge a inflação que com maior entrada de capital na economia, o mesmo começa se instaurar. Ao longo dos séculos anteriores, e até a primeira guerra mundial, a inflação era quase nula. Os preços podiam subir ou cair durante alguns anos, mas eram movimentos compensatórios pouco significantes.

À medida que o sistema capitalista se desenvolveu criando mecanismos complexos, a inflação também tomou seu lugar, sendo de difícil controle devido às oscilações do mercado financeiro e monetário. A economia como um todo é um instrumento instável e que em certas circunstâncias se torna de difícil controle, pois é preciso atitudes políticas em conjunto que nem sempre são eficazes no âmbito econômico, por se tratar de diversas variáveis internas e externas, o que ressalta a importância e influência da nação no sistema internacional.

O próprio dinheiro de papel começou não como dinheiro propriamente, mas como um recibo pelo ouro ou pela prata que era guardado com alguém responsável, geralmente os ourives em seus próprios cofres. Até que também começam a emprestar estes recibos em troca de juros. O mundo dos empréstimos passou a girar em torno dessas notas e não do metal em si. Alguns ourives começaram a ganhar muito mais dinheiro comercializando crédito do que suas práticas comuns da profissão.

Jogos econômicos estratégicos são usados pelas potências e que articulam para beneficiar seus próprios interesses.

É interessante esta percepção de cunho monetário nas relações internacionais, pois a interatividade dos Estados na sociedade internacional é intensa no âmbito do comércio, sendo vulnerável às oscilações do mercado e tendenciosa para a abertura de transnacionais ao redor do mundo.

Dessa maneira, coalizões são formadas para aumentar o poder político no cenário internacional, como por exemplo, o BRICS que em certa medida faz frente ao mundo desenvolvido e tenta se fortalecer em um conglomerado econômico. Assim sendo, outros grupos vão se formando do mesmo modo e à medida da sua expansão vão alterando os jogos de poder no sistema internacional.

No procedimento de comercialização internacional surge o câmbio, que vem a ser a troca de moedas de diferentes países, mas que para tal evento é necessário a aceitação e estabelecimento de equivalência entre as moedas, ou seja, determinar o preço de uma moeda em termos de outra.

Nesse sentido, os interesses nacionais podem alterar essas equivalências de acordo com suas necessidades e influenciar os mercados que estão inseridos.

Como exemplo da influencia dos interesses políticos, os governos adotam medidas conforme a situação, sendo pragmáticos em suas tomadas de decisão, o período entre 1870 e 1914 compreende o funcionamento do padrão-ouro, nesse sistema as moedas dos diferentes países eram definidas por um determinado peso em ouro.

A Moeda no Sistema Capitalista entre Guerras

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O período entre as duas guerras mundiais foi caracterizado por uma desorganização do sistema monetário mundial, pois os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com seus interesses. Em 1922, pelo acordo de Gênova, procurou se estabelecer um sistema de certo modo semelhante ao padrão-ouro, no qual os países guardariam como reservas monetárias, não apenas o ouro, mas também moedas que fossem conversíveis em ouro. De maneira geral, havia a ideia geral de que os pagamentos internacionais se efetivavam através de remessas de ouro, nesse período, o que até poderia ocorrer, mas o fato é que tal procedimento teria um custo logístico e securitário muito grande.

Na realidade, tanto naquela época quanto hoje, os pagamentos internacionais eram e são liquidados sem qualquer remessa de ouro, simplesmente pela compensação de créditos internacionais.

Nessa perspectiva, se faz interessante ressaltar a participação dos bancos para a viabilização dos mesmos, como por exemplo, cartas de crédito, ordens de pagamento, entre outras modalidades para transações e liquidações cambiais.

O mercado cambial compreende, além dos exportadores e importadores, também bolsas de valores, bancos, corretores, e outros elementos que tenham transações com o exterior.

Assim, temos um grupo de vendedores e outro de compradores, nesse meio, estão os bancos para intermediar esses dois grupos, os quais operacionalizam essas interações. Há uma complexidade sobre a funcionalidade do mesmo, mas que de maneira geral é influenciada pelas posições tomadas de acordo com os atores envolvidos.






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